Como fui aprovado no concurso da PRF após 58 dias de estudos | Fernando Mesquita

Em 2008 eu passei no concurso da polícia rodoviária federal depois de estudar 58 dias..

Eu não sou especial, eu não sou super inteligente, eu não sou de outro planeta, eu sou uma pessoa normal que encontrou o caminho, essa história dessa aprovação e de todas as outras que eu construí ao longo da última década.


É a história que nos trouxe aos mais de 100 mil assinantes nesse canal…

Se eu perguntar pra mil pessoas o que é mais importante para passar em concursos 999 vão dizer que o mais importante é estudar, coicidentemente, a gente sabe que uma em cada mil pessoas mais ou menos passa em concurso, então essa estatística bati.

Quando eu comecei a fazer provas, eu não sabia que existia um segredo, uma espécie de teia invisível que liga as pessoas são aprovadas, esse segredo entre aspas porque no final das contas têm muito pouco dos segredos de fato, é que estudar é só uma parte pequena do que faz a sua aprovação, para o leigo estudar é igual se aprovado mas isso é falso porque nem todo mundo que estuda de fato é aprovado, isso não significa de forma alguma que estudar não seja necessário pelo contrário, você precisa estudar e muito, algumas pessoas inclusive caem nesse conto, achando que porque estudaram em escolas, na faculdade, sei la, fizeram marcenaria, que elas sabem o que é estudar para concurso… não sabe!

Pouca gente sabe, e muita gente desiste de concurso sem nunca ter descoberto.

Eu vou contar um pouquinho da minha história pra você: eu não queria fazer concursos, aí eu queria fazer concurso e morar na inglaterra eu voltei para o brasil depois de um tempo eu queria prestar concurso mas eu não tinha dinheiro eu não tinha a menor idéia do que queria fazer não tinha de onde tirar esse dinheiro eu não sabia como começar, é como se alguém tivesse largado no meio do deserto e tivesse falado “se vira sem nenhum mapa”.

Pra você ter uma idéia, na época do vestibular eu me dei conta que essa é uma das primeiras provas grandes que eu ia fazer, eu realmente queria passar, eu acho que todo mundo realmente quer passar no vestibular, eu tinha feito um curso lá durante seis meses, eu fiquei nervoso porque a concorrência era tipo 20 pessoas por vaga e é engraçadíssimo ver como é que a meninada que prestar vestibular hoje acha que isso é muito.

E aqui cabe até um parenteses, todo mundo vê a história de alguém que é muito mais velho e passa vestibulares, enem e afins quem tem 17,18 anos pensam “Caraca! Deve ter estudado muito!”

E as vezes não…você vê aquela pessoa com 25 e 35 anos dizer que não estudou quase nada e aí quando a grande ficha começa a cair…

“Mas peraí…se eu estudei igual um condenado e tive dificuldade para passar e aquela pessoa que quase não estudou e passou…deve ter alguma coisa de podre no sistema que eu não tô entendendo”

Mas deixa essa informação ai no fundo, porque as pessoas vão levar alguns anos para entender isso de fato.

A real é que eu passei no vestibular, passei bem, para o curso “concorrido” na UNB (Universidade de Brasília) e eu fiquei em oitavo lugar, em comunicação social. Mas a faculdade não era pra mim, nessa mesma época comecei a fotografar profissionalmente… já fotografava algum tempo, mas nessa época eu comecei a querer viver disso, e a faculdade era uma coisa cada vez mais distante desse desejo, os professores eram desinteressados, os alunos eram desinteressados, a estrutura da faculdade era ruim, era um pacote completo…

E no fundo eu acho que essa aprovação era mais para provar que eu era capaz. Eu passei uma quantidade muito estranha de tempo da minha vida tentando provar que eu era capaz e certamente deveria ser objeto de análise, mas o fato é que eu sabia que eu era capaz e por causa disso eu também não me sentir na obrigação de ficar porque é essa a sensação que você ganha, quando você prova a sensação de que se as coisas derem errado você pode fazer aquele processo novo, você ganha confiança, você começa a entender a sua competência.

Eu saí da faculdade, montei meu estúdio fotográfico, eu fechei meu estúdio fotográfico depois de um tempo, me casei com a mulher que ia ser a mãe dos meus filhos, fui morar na inglaterra por uns mêses e lá, eu continuei fotografando, mas a gente sentiu que era hora de voltar e eu pensei “Tá, vou voltar a fazer o que?” Eu podia na verdade fazer várias coisas mas a saída mais simples era aquela que minha mãe vinha buzinando na orelha nos últimos dez anos: “Faz concurso, faz concurso, faz concurso”.



Eu não queria fazer concurso… várias vezes já tinha dito que eu não ia fazer concurso, que eu queria outras coisas pra minha vida… mas aí, chegou um momento em que você chega à conclusão de que seus pais têm alguma razão naquilo que eles dizem, e eu comecei a escutar…Eu queria ser policial, eu sempre quis…eu via aqueles filmes de ação, cheios de tiros e explosão.. embora soubesse que a realidade não era bem assim, eu ficava ficava com aquela pontinha de vontade de invadir os lugares com metralhadora e sair prendendo o povo…

Então, nada mais normal do que fazer a prova por um cargo policial…

Bem na época em que a gente voltou da inglaterra, saiu o concurso da polícia rodoviária federal, eu pensei: “bom, na coisa que eu quero então, por que não?”

O problema é que eu não tinha um centavo, literalmente…

Eu estava morando na casa dos meus sogros e eu não tinha absolutamente nenhuma perspectiva. Eu pedi, (na época isso era muito dinheiro), mil reais emprestados para minha mãe, que tirou não sei de onde, porque ela também não tinha…E eu fui estudar, eu comprei alguns livros, acertei em alguns e errei na maioria. Entrei em contato pela primeira vez com os cursos…cursos de direito penal, curso de processo penal… isso mudou a minha vida em relação ao direito, nunca tinha estudado e me fez amar direito penal.

Eu não sabia o que estava fazendo, não tinha a menor idéia, mas a primeira coisa que eu fiz foi pegar a prova anterior no cargo e fazer como simulado, podia até ser que eu não tivesse idéia de qual seria o próximo passo mas eu sabia que precisava ter ao menos um noção do tamanho do desafio que tinha pela frente.

Imprimi a prova, fui pra biblioteca da UNB, na época todo confiante. Me lembro de olhar para a nota da prova depois corrigir e ficar me perguntando se tinha corrigido certo, porque a nota tinha 30% menor do que a nota do último colocado na prova anterior a coisa certa e eu teria que ralar bastante para conseguir passar.

Fui estudar, eu estudava de noite, estava morando na casa do meu sogro na época e muitas das vezes eu corria para trocar o pijama quando dava 6 horas da tarde, porque eu sabia que estavam chegando e ia ficar estranho se eles me vissem naquela situação.

Mas eu passava tanto tempo estudando que às vezes me levantava ia pra sala, estudava o dia inteiro e quase dormia em cima dos livros, costumo dizer que a necessidade é realmente a mãe da vontade.

Já era casado há um tempo e você imagina a treta: zero dinheiro para sair, zero dinheiro para comprar qualquer coisa. No nosso primeiro aniversário de casamento foi um dos meus sogros que levaram a gente para jantar, porque era a única forma de a gente conseguir comemorar.

Mas eu fui estudando…nessa época comecei a desenvolver e aplicar a metodologia de estudos que hoje eu ensino, que é o ciclo EARA.

Eu entendi que precisava estudar, e essa parte da maioria acerta afinal se você não sabe algo, você estuda para aprender. Eu sabia que precisava resolver questões, entendi isso vendo a prova, eu olhava alguns daqueles itens e diz : “Putz! Se tivesse lido isso antes eu teria ecertado”. Não era o conteúdo em si que era complicado, era a linguagem, era contexto, era a forma como aquilo era exposto, eu comecei a desconfiar que isso seria muito mais fácil de interpretar resolvendo questões parecidas do que estudando propriamente, precisava revisar, eu pegava livros de direito penal com 500 páginas cada um e eram 3, 4 volumes e com minha memória não era nenhuma maravilha, eu precisava de algum tipo de mecanismo para rever aquele conteúdo várias vezes, em algumas ocasiões eu fazia anotações no próprio livro, em outras a notar um papel a parte, eu percebia que o resumo que eu fazia naquele papel a parte, era muito mais eficiente do que sempre que tinha uma dúvida ficar voltando ao material correndo atrás do capítulo, lendo todas as anotações que eu tinha feito, para descobrir onde estava resposta aquela dúvida, não era muito mais fácil eu ter o material à parte com tudo que era difícil pra mim… e por último, eu comecei a fazer registros de como eu imaginei 80, 100, 120 tópicos pra estudar, se não tivesse uma noção muito clara de onde estavam os meus erros, meus acertos, meus pontos fortes, meus pontos fracos, ia ser como se tivesse tateando no escuro, e eu não podia me dar chance de errar, aquela é uma chance única, eu estudei, peguei todos os princípios e estudei, em todos os momentos que eu tinha, mas claro que nem tudo foram flores, eu não tinha nem ideia das coisas que eu ia passar ainda…

Continua…

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