Aprovação PRF em 58 dias (Parte 2)

As pessoas esperam algum tipo de fórmula mágica quando elas ouvem essa história, sempre esperaram, mas a verdade, por mais decepcionante que seja é que tem muito menos mágica do que mentalidade, e um esforço que muita gente não tem o interesse em despender.

Eu passei alguns anos tentando entender oque aconteceu também, mas, no fundo, eu acabei aceitando que seria normal esse resultado que eu tive se, primeiro, as pessoas tivessem uma educação básica melhor, se, segundo, a gente não passasse tanto tempo ouvindo que as coisas são impossíveis, como um monte de gente por ai se ocupa em ficar dizendo, e terceiro, se a gente se esforçasse como se o nosso futuro dependesse disso. Porque pra min pelo menos, ele dependia.


Como eu nunca tinha estudado pra concursos desse jeito eu precisava de algum tipo de estratégia.

Fazer a prova anterior foi importante pra min por duas razões, primeiro, por que eu perdi o medo de fazer provas, eu sabia o tamanho do monstro que eu tinha pela frente, eu não tinha mais como ficar imaginando ,ficar sonhando com oque seria, eu sabia! Segundo, orque isso me mostrou oque era importante na preparação, nessa prova.

Duas coisas que as pessoas fazem de errado e eu percebi isso ao longo dos anos, com contatos, com colegas, e com os meus alunos, é dar chance para que o monstro cresça.

Oque que isso significa?

É achar que a prova vai ser difícil e por isso você não entra em contato com s provas anteriores e com outras provas, pra saber se de fato vai ser tao difícil quanto você acha que vai.

Isso foi uma das coisas que eu fiz certo sem saber!

Foi fazer a prova já no primeiro dia, mesmo sem ter estudado nada, o objetivo não era acertar. Era modular a minha expectativa, era cuidar do meu emocional.

Mas ao mesmo tempo eu só tinha um ponto de análise, depois que você faz, 5, 10, 20 provas você começa a perceber padrões, eu não tinha nenhum padrão, eu só tinha aquele simulado que eu tinha feito.

Quando eu olhei o edital eu não sabia oque eu precisava faze, eu não tinha nenhuma estratégia nesse sentido, então, eu fui do início, do primeiro até o último tópico. Eu peguei cada disciplina daquelas e fui analisando, oque eu poderia fazer, qual material eu poderia comprar, eu precisava fazer contas, porque eu não tinha dinheiro para udo, alguns livros, a minoria, eu acabei pegando emprestados, outros eu comprei usados e alguns eu comprei novos, mas eu usei livros para 100% da minha preparação.

Eu estudava coisa de uma hora, duas horas cada disciplina e trocava, mas eu não trocava porque eu queria, eu trocava por que eu ficava cansado, eu começava a ler e aquelas coisas não faziam mais sentido. Anos depois eu fui descobrir que era isso mesmo que eu devia fazer, porque quanto menores fossem as sessões de estudos mais eu gravaria de cada uma delas.

Muitas vezes eu queria terminar um tópico ou um capítulo porque achava que isso era importante. E depois eu descobri que isso era uma grande bobagem, quando eu voltava eu dava uma lida rápida no que eu já havia visto antes, me localizava e continuava do ponto onde eu tinha parado.

É uma pena que eu não usava ainda mapas mentais, isso é uma das coisas que eu queria voltar no tempo para me chacoalhar e dizer “moleque, informação é tudo!”. Eu deveria ter ido atrás de ler e entender sobre técnicas de estudos muitos antes. Em algum lugar nos últimos anos, eu contei a história de como eu passei ano depois no tribunal regional federal, TRF 1, para analista judiciário, só usando mapas mentais e resolução de questões!

Talvez eu tivesse passado ainda melhor, na polícia rodoviária, mas tudo bem. Cada coisa tem seu tempo.


E sabe oque que é pior? Eu sabia! Eu já tinha lido sobre mapas mentais, eu tinha achado a técnica muito fera, mas eu deixei quieto, parece que eu queria estudar da forma mais difícil, vai entender.

Um dos maiores problemas da minha preparação é que a gente não tinha essa quantidade de sites de questões que a gente tem hoje por ai, eu tinha que entrar em fóruns ou na página das bancas para baixar provas para pegar questões pra resolver.

Eu acho que uma das razões que eu gosto tanto de tecnologia hoje é exatamente porque na minha geração veio a transição, quando a gente estava com 11, 12 anos a internet chegou, se popularizou, então a gente fez trabalhos tanto em papel almaço quanto tem computador.

Aí qual que era o problema, porque a gente não tinha essa quantidade de site de questões. Eu tinha que esperar o final de semana, quando eu ia lá, buscava provas, entrava, pegava as questões pra ver se tinha aquelas que eu ia resolver, era uma luta!

Mas eu resolvia 2, 3, 4 provas no final de semana, não completas, mas as questões que eu precisava e que eu queria. E estudei, estudei, estudei, e não, não foram todos os dias perfeitos. Tinha dias que eu acordava passando mal, eu encostava na parede e chorava achando que não ia dar tempo, que eu não ia conseguir, eu achava que eu era burro demais para entender aquele conteúdo, eu achava que aquilo lá era coisa de quem era bacharel em direito, porque tem que cobrar tanto direito em uma prova pra polícia!

Eu pensei em desistir, não uma, não duas, mas praticamente todos os dias, todos os dias eu acordava e me perguntava se aquilo era realmente pra min, se eu tinha condições, se eu ia passar. E nem todo dia eu conseguia superar a dúvida, as vezes eu ficava sentado, olhando pra parede, os livros ali na minha frente, e eu sem coragem de abrir nenhum deles.

Foi nessa época que eu comecei a trabalhar alguns dos conceitos que eu já ensino, eu vejo muita mas muita gente falando oque não sabe, falando uma coisa que não viveu, dando conselho teórico. A internet deu voz para todo tipo de gente, tem gente que passou em um concurso e quer te ensinar a ser aprovado em x provas. Tem gente que nem passou e quer te dar conselho sobre como que você deveria estudar.

Mas eu pelo menos, eu não me sinto confortável em fazer isso, tanto que, tudo que eu falo, tudo que eu ensino, tem sim, muito embasamento teórico, de milhares de horas de estudos e de estudos sobre estudos ao longo dos últimos anos, mas mais importante que isso, milhares de horas de prática.


Nessa época eu percebi uma coisa que foi importantíssima, não só para os concursos, mas para todos os grandes projetos que eu teria pela frente, que era que, se ao invés de eu ficar sofrendo eu desse o primeiro passo, fosse abrir o livro, fosse começar a escrever, fosse resolver algumas questões, eu conseguia entrar no ritmo, e aquela inspiração que eu esperava que viesse naturalmente, de repente era forçada a aparecer.

Foi daí que surgiu um termo que eu uso muito, que é, a preparação profissional. Tem muita gente que estuda quando dá, resolve questões quando dá, revisa quando está afim, essas pessoas não passam. Passa quem faz as coisas que precisam ser feitas independentes de vontade. Hoje eu já treinei mais de três mil pessoas para concursos públicos e eu percebi que as pessoas que passam tem esse nível de pragmatismo, de não ficar discutindo se elas estão com vontade d fazer as coisas, elas vão e fazem.

Eu digo muito hoje que o concurso ele te prepara para o servidor que você vai ser, e mais importante que isso, pra pessoa que você vai ser quando você passar. Ele é um rito de passagem, muitas pessoas, a maioria das pessoas na verdade, não chegam do outro lado. Mas aqueles que chegam, eles tiveram uma possibilidade enorme de mudar completamente a forma como eles encaram a vida, elas se puderam tornar pessoas mais resilientes, mais dedicadas, mais empáticas, mais atentas ao mundo ao redor e mais conscientes de si próprios, da sua dificuldade, da sua capacidade. E isso por sí só é uma coisa fantástica que a preparação traz pra gente.

Eu achava que eu estava indo mais ou menos bem, mas, na verdade, é que eu não sabia, eu tinha uma noção de como eu estava, mas eu não sabia se oque eu sabia, ia ser suficiente pra passar. Tudo oque eu tinha pra fazer então era estudar da melhor forma que eu pudesse, da melhor forma que eu sabia, e foi oque eu fiz.

E quando faltavam dez dias para a prova eu comecei a desistir, eu falei que eu não ia mais fazer a prova, que eu não tinha condições de passar, e eu estava absolutamente certo que eu ia desistir daquela prova, e a minha esposa sentou comigo e falou, naquela delicadeza de um momento sensível, né, quando você precisa de apoio, e ela falou: “você vai fazer a prova!”. E eu falei “sim senhora!” Então voltei a estudar, um pouco contrariado, mas voltei.

E aí o dia da prova chegou, o dia da prova foi um turbilhão, eu estava mais ou menos tranquilo, mais ou menos nervoso, eu recebi o caderno de provas, eu abri e li todas as questões e eu senti um certo alívio. Eu tinha uma ideia do que era praticamente tudo do que estava ali, eu sabia que ia ser difícil, mas eu tinha condições de brigar. Eram muitas vagas e eu estava bem preparado de uma determinada forma.

E eu fiz, fiz tudo, eu respondi todas as questões, eu fiz a minha redação e eu esperei para levar o caderno de provas, que é uma coisa que todo mundo precisa fazer quando está estudando sério. Quando eu fui conferir o gabarito eu achei que eu tinha ido bem, mas eu não sabia, não tinha certeza, nessa época os rankings de concursos estavam começando e eu procurei uns tres ou quatro, para ter uma ideia de como que eu tinha ido. Em um deles eu tinha ficado na posição 80, ou seja, dentro das vagas. Aquilo me deu uma certa esperança.

Quando o resultado saiu eu fiquei muito, mas muito muito muito nervoso, eu não parava de ficar apertando F5 lá, esperando a bancada liberar o documento com a classificação, até que o arquivo apareceu.

Sabe quando você começa a fazer uma coisa muito importante e até treme de ansiedade? Era assim que eu estava!

Quando eu fui procurar o meu nome eu vi que não só eu tinha ficado na posição 60, mas eu tinha tirado 99% da nota possível na redação, foi foda!

E foram 58 dias de estudos, 58 dias dos estudos mais intensos da minha vida, mas tudo tinha valido a pena, eu ia ser policial. Só que não!

Lembra quando eu falei que eu não tinha dinheiro para comprar os livros?

Então, por uma série de razoes, principalmente por falta de dinheiro pra fazer os exames e a prova física, que iam ser em outro estado, eu acabei largando o processo e eu não assumi o cargo, eu nunca fui policial. Mas eu fiz outras provas, inclusive nessa época, muito próximas. Em várias eu passei, em muitas outras eu reprovei. Eu fui provado no concurso da ABIM (agência brasileira de inteligência) uma prova que aconteceu algumas semanas depois, onde eu trabalhei durante seis anos.

Eu fui aprovado no departamento penitenciário nacional, no TRF, no TSE, na aeronáutica, na assembleia legislativa de São Paulo, na câmara dos deputados, onde eu só analista hoje. Entre algumas outras que surgiram aí ao longo do caminho.

Eu tive reprovações também, obvio, dezenas delas, mas a verdade é que uma vez que você passa, as provas que você não passa, elas se tornam irrelevantes. Algumas reprovações claro doeram mais que outras, como duas que eu tive no senado: uma para policial legislativo e outra para analista administrativo. Eu tive uma reprovação também na câmara legislativa do distrito federal, também para policial em 2005. Tem coisas que simplesmente não são pra ser.

Mas tudo isso me ensinou oque eu trago aqui, oque eu publico em artigos, vídeos, podcasts, livros, cursos, e volta e meia alguém pergunta: “Fernando, porque que você faz esse trabalho aqui?”

E a minha resposta é sempre a mesma: “Para que as pessoas não tenham que ralar oque eu ralei pra aprender sozinhas, para que elas possam entender os estudos, passar mais rápido em provas  de concursos, serem bons servidores, e darem uma vida melhor para suas famílias.

Não é um trabalho fácil, de jeito nenhum! Mas os nossos hoje, 120 mil assinantes, do maior canal, sobre técnicas de estudos do país. No canal sobre concursos que mais cresce no Brasil, mostra que juntos a gente está indo no caminho certo.

Eu quero agradecer, meu muito obrigado a você que faz parte dessa história, tudo oque está aqui, é pra você também.

Eu vou continuar trazendo os melhores conteúdos para concursos públicos deste país aqui, porque nós juntos vamos fazer a diferença no serviço publico do país, e claro, oque é mais importante, na sua vida.

Eu sou Fernando Mesquita e a gente se vê na nossa próxima oportunidade, até la.

 


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